Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

CABRAL PSI - Consultoria, Qualificação e Desenvolvimento Humano
Espaço destinado à publicação de informações profissionais.

16/03/2009 GMT 4

EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO AO CLIENTE

cabral @ 22:54

Curso de Capacitação

EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO AO CLIENTE

(CARGA HORÁRIA: 8 horas)

Objetivos: Desenvolver e ampliar a consciência crítica do colaborador de que ele é a apresentação primeira da empresa em que atua e que a satisfação do cliente depende de seu desempenho e de sua capacidade em atender e conquistar o mesmo.

Público Alvo: Pessoas que trabalham ou que se interessam em trabalhar com atendimento ao público em geral.

Conteúdo Programático: Postura Profissional e imagem da empresa, Auto-estima, organização no ambiente de trabalho, humanização nas relações de trabalho, Motivação, Excelência no atendimento, Importância da comunicação, sociabilidade, fluência verbal, Técnicas de memorização, Comunicação não verbal, perfis dos clientes, Inteligência emocional no trabalho, como lidar com as reclamações, Como encantar seu cliente, Marketing de relacionamento.

OFERECEMOS: metodologia teórico vivencial, coffee break, Certificado, orientação na preparação do currículo e encaminhamento dos mesmos para empresas.

Data e horário: 29/03/2009 (Domingo) - 08:00h às 17:00h

LOCAL: Cobilândia – Nº de vagas: 20

Investimento: R$ 60,00

Período de inscrição: 02/03/2008 a 27/03/2008

Informações: As pessoas interessadas no curso deverão solicitar sua ficha de inscrição pelo E-mail: cabralpsi2@hotmail.com ou informar-se pelos tels: (27) 9227-6498 / 8838-0230 / 3032-5349

22/09/2008 GMT 4

CURSO DE CAPACITAÇÃO AO CHEKLIST CID 10 DE SINTOMAS PARA TRANSTORNOS MENTAIS

cabral @ 23:22

Curso de Atualização

CURSO DE CAPACITAÇÃO AO CHEKLIST CID 10 DE SINTOMAS PARA TRANSTORNOS MENTAIS

Apresentação:

A checklist de sintomas para Transtornos Mentais - CID 10 é um instrumento

semi-estruturado para avaliação de sintomas e síndromes psiquiátricas nas

categorias F do CID 10.

Poucos profissionais da área de saúde mental estão capacitados para a realização do mesmo, o que permite um diagnóstico mais preciso e devido encaminhamento a um tratamento adequado, principalmente nos quadros de depressão, ansiedade, pânico, transtorno bipolar, esquizofrenias, etc.

O presente curso objetiva treinar e capacitar os profissionais que atuam no atendimento a pacientes que apresentam sintomas compatíveis com os critérios diagnósticos dos mesmos.

Conteúdo Programático:

ü Psicopatologia Geral

ü CID 10 – Transtornos Mentais

ü Utilização do CID 10 Eletrônico

ü Aplicação do Cheklist - teoria

ü Estudo de casos

ü Treinamento prático de utilização do CID 10 e aplicação do cheklist

Carga Horária: 10 horas

Facilitador:

Nildson Alves Cabral - CRP/16 1357 ES

Psicólogo clinico pela Universidade Federal do Espírito Santo, psicoterapeuta, Especialista em Gestão de Pessoas e Teoria Psicanalítica. Professor de Psicopatologia e Psicologia do Desenvolvimento da Faculdade Unida de Vitória e Escola Superior de Psicanálise.

Horário: 08:00 às 18:00h

Data: UM SÁBADO OU DOMINGO – MÍNIMO DE 10 ALUNOS – NAS CIDADES ONDE OS GRUPOS SE ORGANIZAREM.

Obs: Atendemos a qualquer cidade da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo com grupos de no mínimo 10 pessoas.

Investimento:

Plano A: R$ 200,00 A vista

Plano B: 250,00 – cheque pré para 30 dias

Plano C: 2 x 150,00 – 30 e 60 dias

Contatos

NILDSON ALVES CABRAL (27) 3032-5349 / 9227-6498

Cabralpsi2@hotmail.com

CURSO DINÂMICA DE GRUPO

cabral @ 00:22

ORGANIZE UM GRUPO EM SUA CIDADE

CURSO DE DINAMICA DE GRUPO

OBJETIVO
Apresentar técnicas de aprendizagem através de dinâmicas de grupos; baseando-se no conhecimento, aplicação correta e nos valores éticos dos facilitadores destes tipos de eventos. Facilitar o desenvolvimento das relações interpessoais incitando a criatividade e a espontaneidade.

PÚBLICO ALVO
Profissionais das áreas de gestão, líderes de grupos (equipes de vendas, igrejas, etc), supervisores, educadores e interessados na área.

CARGA HORÁRIA
8 h/ aulas

PROGRAMA DO CURSO
Dinâmica de grupo e seus objetivos.
Benefícios proporcionados no ambiente organizacional através da utilização de Dinâmicas de grupo.
Como aplicar as diferentes modalidades de Dinâmicas de grupo
Postura e ética profissional
Comportamentos observados durante a condução das dinâmicas.

IREMOS OFERECER
· Material didático
· Coffe Breack
· Certificado de conclusão

METODOLOGIA
Participativa, onde as pessoas agregam valor umas as outras e desenvolvem o conhecimento em conjunto; utilizando como recursos: jogos vivenciais, discussões em grupos, simulações e exposição dialogada.

FACILITADOR DO GRUPO
Professor e Psicólogo com especialização em Gestalt-terapia e Gestão de Pessoas. Possui ampla vivência em treinamento, dinâmica de grupo, cursos e palestras na área de psicologia e educação, atuando em Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo em escolas, faculdades e outras instituições educacionais. Atualmente trabalha como psicólogo clínico realizando atendimentos individuais e de grupo, lecionando psicologia e psicopatologia na ESPO –Escola de Psicanálise e Orientação e FUV – Faculdade Unida de Vitória.

DATA E HORÁRIO

Mês de agosto

Dia a combinar com o coordenador local

Será em um sábado, de 08:00h às 17:00h

INVESTIMENTO

R$ 120,00

LOCAL

ORGANIZE UM GRUPO EM SUA CIDADE

MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE ESTE E OUTROS CURSOS DE CURTA DURAÇÃO FAVOR ENTRAR EM CONTATO:
Tel: (27) 9227-6498 / 3032-5349
E-mail: cabralpsi2@hotmail.com / insightcursos@bol.com.br

30/07/2007 GMT 4

PAE - Programa de Acompanhamento Escolar

cabral @ 23:14

PAE
PROGRAMA DE ACOMPANHAMENTO ESCOLAR

1. APRESENTAÇÃO

PAE – Programa de Acompanhamento Escolar, foi elaborado pelo psicólogo psicoterapeuta e professor Nildson Alves Cabral. O objetivo desse programa ultrapassa as questões que envolvem os problemas de aprendizagem, respeitando o ser humano como um todo e promovendo o crescimento pessoal. Entendendo o reforço escolar enquanto reforço à auto-estima e de uma ampliação da consciência sobre as metas a serem cumpridas na escola , os encontros de reforço escolar, que podem ser individuais ou de pequenos grupos, buscam fixar e ampliar o que o aluno aprende em sala de aula, desenvolvendo uma base teórica consistente e bem explicada, permitindo ao aluno confiar em si próprio, de modo a solucionar as dificuldades que se apresentam ao longo da vida, não só escolar, mas também nas relações.

2. EQUIPE

A equipe do PAE é formada por:

07 professores responsáveis pelas áreas de Matemática, Biologia, Física, Química, Língua Portuguesa, História e Geografia.

01 psicólogo

01 psicopedagoga

3. PROGRAMA

PLANO 01 – APE - Acompanhamento Psicopedagógico e Escolar

• 01 sessão semanal com psicólogo
• 01 sessão quinzenal com psicopedagogo
• mínimo de 02 aulas semanais das matérias em que o aluno precisa de acompanhamento especial

PLANO 02 – AE - Acompanhamento Escolar

• 01 sessão semanal com psicólogo
• mínimo de 02 aulas semanais das matérias em que o aluno precisa de acompanhamento especial

PLANO 03 – RE – Reforço Escolar

• mínimo de 02 aulas semanais das matérias em que o aluno precisa de acompanhamento especial

4. CONTATOS

Email: cabralpsi2@hotmail.com

Tel: 27-92276498 / 3032-5349

05/07/2007 GMT 4

GRUPO TERAPÊUTICO ENCONTROS

cabral @ 20:37

GRUPO TERAPÊUTICO ENCONTROS
Por Nildson A. Cabral – Psicólogo Gestalt-terapeuta – CRP: 16/1357 – ES
cabralpsi2@hotmail.com
www.cabralpsi.nireblog.com
(27) 9227-6498

APRESENTAÇÃO

NILDSON ALVES CABRAL é Professor, Psicólogo pela Universidade Federal do Espírito Santo, Gestalt-terapeuta pelo Instituto Gestalt do Espírito Santo, possui ampla vivência em treinamento, dinâmica de grupo, cursos e palestras na área de psicologia e educação. Desde 2002 ministrando aulas e palestras em vários municípios de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo em escolas, faculdades e outras instituições educacionais. Atualmente trabalha como psicólogo clínico realizando atendimentos individuais e de grupo, professor de psicologia, psicopatologia, estudos das correntes psicanalíticas e psicologia do desenvolvimento na ESPO –Escola Superior de Psicanálise e Orientação e FUV – Faculdade Unida de Vitória. Suas palestras são motivacionais, objetivando uma melhor integração, ampliação da consciência e melhoria de atitudes o que contribui para uma melhor qualidade no trabalho e nas relações. Todas as palestras, vivências e treinamentos são práticas e visam provocar mudanças rápidas.

METAS

• Possibilitar o crescimento e transformação das pessoas, através do controle emocional, conquista da auto-estima e ampliação da consciência.

GRUPO TERAPÊUTICO ENCONTROS

O que somos em nosso cotidiano, não representa de fato o nosso verdadeiro ser. Nesse vai e vem da vida, é comum nos estranharmos e, nesse estranhamento, nos sentimos robotizados, aprisionados e angustiados. Nossa espontaneidade vai rio abaixo, carregado pela correnteza de um sistema frio e cruel, que não nos permite desfrutar da capacidade de entrar em intimidade com o outro, fazendo-nos perder a autonomia de vida. Foi pensando nestas questões que estamos formando o GRUPO TERAPÊUTICO ENCONTROS cujo objetivo e suscitar no participante a sua capacidade de ultrapassar os limites impostos pelo meio e redescobrir o seu verdadeiro ser. Nestes ENCONTROS trabalhamos com a prática da Consciência corporal, Os contos de fadas e a sua história de vida, Relaxamento, Fazendo contato, Musicoterapia, Teatro – Psicodrama, Os papéis que vivemos na vida, Tirando as máscaras, etc. Dinâmicas que permitirão a cada um RE-fazer o contato consigo mesmo. Este grupo é para você que deixou-se de lado ou para trás por conta de algo ou de alguém, para você que sente-se só, angustiada, deprimida, infeliz e que busca por compartilhar suas dúvidas, apreensões, medos e também as coisas boas da vida. Este grupo é para todos aqueles que querem crescer um pouco mais e que acreditam nesta possibilidade. Os trabalhos serão conduzidos pelo psicólogo e psicoterapeuta Nildson Alves Cabral, tendo como suporte teórico a Gestalt-terapia.

DIFERENCIAIS DA TERAPIA DE GRUPO
• Ao conhecer histórias semelhantes à sua, o paciente descobre que não é o único a viver o problema, o que pode acelerar a cura.
• Ouvir o depoimento de outro sobre um problema que é igual ao seu pode levar a pessoa a se distanciar do seu drama e, assim, encontrar uma saída criativa.
• O vínculo criado no grupo é estimulante e evita que os integrantes esmoreçam.
O que se espera da psicoterapia de grupo?
Em geral, a maioria das pessoas, felizmente, soluciona seus problemas de forma satisfatória no dia-a-dia. Todavia, em circunstâncias especiais, de acordo com a natureza da situação, um indivíduo pode se ver diante de um dilema ou conflito e sentir-se incapacitado para alcançar a resolução. Neste extremo, e diante do sofrimento psíquico vivenciado, parte em busca de apoio: geralmente um amigo, um familiar ou um religioso. A cooperação social é essencial para o bem-estar pessoal e exerce, portanto, importante papel, mas, ao mesmo tempo, é possível que o indivíduo opte por procurar um profissional especializado: um terapeuta.
O que espera da psicoterapia de grupo? Que possa solucionar seu problema. Para isto, terá de reavaliar suas idéias, sentimentos e comportamentos ao longo de sua história, num passado recente ou, se necessário, longínquo. O estado em que se encontra exige mudança. Neste sentido todas as psicoterapias, e não importa qual seja, quanto à abordagem, modelo ou escola, são métodos de aprendizado e têm a intenção de mudar pessoas. O processo psicoterápico tem por objetivo modificar padrões de comportamento inapropriados que dificultam o processo de desenvolvimento pessoal.
DATA DOS ENCONTROS
Todas as terças-feiras de 19:00h às 21:00
Local: a definir
Iremos iniciar nossas atividades no dia 24/07/2007

INVESTIMENTO
O investimento será de R$ 20,00 por encontro.

VAGAS LIMITADAS
Apenas 15 pessoas
Obs: será dada a preferência para aqueles que já realizam sessões individuais com o facilitador do grupo.

RESERVA DE VAGAS
(27) 9227-6498 e preferencialmente via correio eletrônico no endereço cabralpsi2@hotmail.com

30/06/2007 GMT 4

A ESCUTA TERAPÊUTICA NO DIÁLOGO

cabral @ 10:23

A ESCUTA TERAPÊUTICA NO DIÁLOGO
Por Nildson Alves Cabral
cabralpsi2@hotmail.com
___________________________________________________________________
RESUMO
Como fazer do diálogo uma escuta terapêutica? A partir desse questionamento surge a idéia de um artigo que discutisse os elementos do processo comunicacional no desenvolvimento do diálogo e que pudessem contribuir com informações que auxiliem o leitor no desenvolvimento da aptidão de uma escuta terapêutica. Nossa pretensão é contribuir na orientação a uma escuta terapêutica com excelência a partir do diálogo, facilitando o encontro das pessoas e promovendo o crescimento pessoal.

Palavras-chave: Escuta Terapêutica, Linguagem, Processo comunicacional, comunicação não-verbal, psicanálise.
___________________________________________________________________

"A coisa mais importante na comunicação é ouvir o que não está sendo dito."
Peter F. Drucker
1. Introdução

Ouvir bem, dentro do enfoque que pretendemos desenvolver, tem um significado que ultrapassa o simples conceito de perceber através do sentido da audição. A escuta do outro não requer só a presença de um emissor e um receptor de mensagens. Nas entrelinhas das palavras há uma infinidade de elementos que estão flutuando e poucos são aqueles que realmente estão preparados para pinçá-los. Pinçar os elementos flutuantes das palavras, gestos e atitudes daqueles que estão se expressando é uma arte e o seu efeito é muito interessante, podendo ser até terapêutico no sentido mais amplo desta palavra, ou seja, tendo representatividade nas resoluções dos problemas cotidianos das pessoas gerando “insight” e ampliação da consciência através do processo comunicacional.

Pessoas que querem ouvir pessoas devem estar preparadas para atravessar, com o outro, terrenos movediços, cheios de armadilhas; caminhos tortuosos e muitas vezes até falsos. Tudo isso pode se tornar uma grande aventura e, o que é melhor, permitir o crescimento de ambos, pessoa falante e pessoa ouvinte. Esse encontro vai ser muito mais proveitoso se aquele que se propõe a ouvir, de fato saiba o que está fazendo.

Dentro de um consultório atendendo aos meus clientes, permito o que convencionei chamar de espaço da fala, onde a pessoa conta a sua história, muitas vezes de dor, de sofrimento e que poucos ou ninguém sabe. Só tenho que considerar isso como algo sagrado, no sentido de que é algo sublime que merece toda a atenção e respeito. Emociono-me com a fala do outro, peço desculpas se preciso interrompê-lo, algo raro, ou quando preciso invadir mais a sua vida privada, o que é mais freqüente, e o agradeço por ter me confiadas informações suas. Com o tempo percebi um certo modo de ouvir que estava fazendo bem às pessoas e logo entendi que este modo diferente de ouvir, muito benéfico, requer conhecimento e prática. Enquanto emissor já havia sentido um certo bem estar diante de uma escuta capacitada.

Como psicólogo sei que nem sempre há demandas para uma terapia, mas as pessoas querem ser ouvidas sempre quando querem falar. Não só ouvidas como também bem entendidas. Percebam o quanto sofremos quando percebemos que o outro não nos dá a devida atenção. Sem retorno, sem feedback, sem o outro em atenção à nossa fala, ou seja, sem uma escuta, nos sentimos em abandono, sofremos mais.

Necessitamos destes espaços quase que diariamente. Já imaginou todas as vezes que sentir necessidade de falar ter que procurar um terapeuta? Enquanto psicólogo adoraria viver em uma sociedade onde isso fosse uma realidade. Mas não é bem assim. Claro que acredito que o terapeuta é a pessoa capacitada para tal, mas entrar em um processo terapêutico é algo complexo, requer tempo e muitas de nossas questões precisam de intervenções mais rápidas e precisas, a maioria na verdade. O que quero dizer com isso é o que todos já sabem. Há questões que podem ser resolvidas com alguém de ouvidos bem preparados. É aí que surge um outro problema, além do problema que é queixa do que fala. Como ouvir? O que é comunicação? Que elementos fazem parte desta relação? Que dificuldades ou ruídos interferem neste processo? Como posso fazer desse ouvir uma escuta terapêutica? São preocupações não só dos terapeutas como de todos os profissionais que lidam diariamente com a escuta de pessoas, e não só nas diferentes áreas profissionais como também nos diferentes campos relacionais das pessoas. De uma consulta em psicoterapia a um bate papo de desabafo com a vizinha, como posso, através do conhecimento e domínio dos elementos que fazem parte do processo comunicacional, entender melhor o outro e tornar essa relação em uma escuta terapêutica?

Pensando nestas questões surgiu a idéia de escrever algo que pudesse auxiliar as pessoas na arte do ouvir. Um artigo que pudesse nos ajudar com informações que introduziriam o leitor na incrível arte da escuta terapêutica, ou seja, uma escuta que resulta em crescimento para todos os envolvidos na relação de comunicação.

Este trabalho representa também uma busca pelo diálogo conforme entendida por Nietzsche :
“O diálogo é a conversa perfeita, porque tudo o que um diz recebe sua feição determinada, seu timbre, seu gesto que a acompanha, unicamente com relação ao outro interlocutor, por conseguinte, de uma forma análoga ao que acontece na correspondência, a saber, que uma só e mesma pessoa mostra aspectos da expressão de sua alma, segundo escreve ora a um, ora a outro.” (p. 221)

Nossa pretensão é contribuir com a proposta de orientar no desenvolvimento da aptidão de uma escuta terapêutica com excelência a partir do diálogo, facilitando o encontro das pessoas e promovendo o crescimento pessoal.

2. O Básico da Comunicação – Elementos, sentidos e funções da linguagem.

A palavra COMUNICAÇÂO tem a sua raiz etimológica no latim communis, nos dando um sentido ou idéia de comunidade, ou seja, de algo pertencente a um conjunto ou a uma relação de trocas. De acordo com MAGNE (1952) comunicar é participar, realizar trocas de informação, é fazer com que as idéias, volições ou estados d’alma se tornem comum aos outros. Subtende-se com isso que existe, nos processos comunicacionais, a possibilidade das pessoas se entenderem, fundindo idéias dantes isoladas. Trata-se de um movimento dinâmico em que aquilo que é meu, neste caso pensamentos e idéias, passa a pertencer ao outro e vice-versa.

Podemos nos comunicar com o outro de diversas formas. Fala, escrita, desenhos e sinais são alguns exemplos de comunicação pelos quais transmitimos uma mensagem. O tema aqui desenvolvido está mais relacionado à comunicação através da palavra falada e sinais de gesto. De acordo com R. Jakobson (1989), sete elementos podem ser destacados aqui:

a. Emissor – é aquele que, através dos diferentes tipos de códigos de comunicação, emite uma mensagem.
b. Mensagem – representa o conjunto de informações transmitidas pelo emissor.
c. Receptor – é aquele que recebe a mensagem.
d. Código – é a combinação de signos utilizados na transmissão da mensagem. Só poderemos considerar a ocorrência de comunicação quando o receptor decodifica a mensagem.
e. Canal de Comunicação – representa a via por onde a mensagem é transmitida: cordas vocais TV, revista, jornal, ...;
f. Contexto – também conhecido como referente. É a situação a que a mensagem se refere.
g. Ruído - é o fenômeno que perturba de alguma forma a transmissão da mensagem e a sua perfeita recepção ou descodificação.

Quando estabelecemos uma relação de comunicação com outrem, utilizamos os signos comunicacionais dando a eles sentido e significado, sem os quais não ocorrerá de fato o que chamamos de comunicação. Chamamos de sentido Denotativo quando usamos o signo em seu sentido real e o chamamos de Conotativo quando o utilizamos no sentido figurado, simbólico. Além do sentido, a palavra precisa de significado, ou seja, precisa representar um conceito. A esta combinação de palavra e conceito chamamos de signo lingüístico sendo a palavra o elemento concreto, o significante, e o conceito, o elemento inteligível ou imagem mental, representando o significado.

Quando alguém fala, se utiliza da linguagem com objetivos, ou seja, a linguagem tem funções, que podem ser:

a. Emotiva – também chamada de expressiva. Nesta função o emissor demonstra seus sentimentos ou emite suas opiniões ou sensações a respeito de algum assunto ou pessoa.
b. Fática – ocorre quando o emissor testa o canal de comunicação para ter a certeza de que está sendo entendido. É o Feedback.
c. Poética – utilizada nas obras literárias, principalmente poéticas.
d. conativa – também chamada de apelativa. Esta função tem por objetivo convencer o receptor a praticar determinada ação.
e. referencial – objetivo de informação. Também chamada de função informativa ou denotativa.
f. Metalingüística – palavras que explicam o significado de outra palavra.

Todas estas funções podem ocorrer simultaneamente em um processo comunicacional. Dentro do contexto que aqui estamos tratando, algumas funções merecem maior destaque, que são: emotiva, fática e referencial. Pensemos na utilização dessas funções e em quais teríamos um melhor resultado na escuta terapêutica. Algumas não devem ser utilizadas, como por exemplo a conativa, que é apelativa. Quando utilizada demonstra total despreparo para a escuta terapêutica.

3. O corpo também fala

Já vimos que a comunicação é entendida como sendo um processo de transmissão e troca de mensagens. Para tal utilizamos a linguagem verbal, através do uso das palavras, e a linguagem não-verbal ou linguagem corporal, em que utilizamos os elementos não verbais da comunicação que são os movimentos faciais e corporais, ou seja, os gestos, os olhares e a entoação da voz. Enquanto que a comunicação verbal é totalmente voluntária e, portanto, consciente por se tratar de um "conhecimento imediato da sua própria atividade psíquica" , o comportamento não-verbal pode ser uma reação involuntária e, em uma abordagem psicanalítica, podemos entendê-la como sendo um ato inconsciente, ou seja, diz respeito a elementos pelos quais conscientemente não temos acesso e, portanto, sem o nosso controle, mas que são de grande representatividade nos processos comunicacionais. Podemos concluir que há necessidade de preparo em uma leitura corporal para possibilitar a captação de dados por essa via de informação e manifestação do sujeito, do contrário, ficaríamos limitados apenas à linguagem verbal, diga-se de passagem, muito limitada. Para que a comunicação seja eficiente na interação pessoal, devemos dar a devida importância tanto aos elementos verbais como aos não-verbais.
Há vários trabalhos científicos que corroboram nossas afirmações sobre a importância da linguagem não verbal. Podemos dar um destaque especial a Charles Darwin que em 1872 publicou "A expressão das emoções no homem e nos animais" cujos estudos só foram reconhecidos e confirmados por pesquisas em 1960. Vejam os resultados das pesquisas:
O impacto total de uma mensagem é:
 7% Verbal (apenas palavras escritas)
 38% Vocal (incluindo tom de voz, inflexões e outros sons)
 55% Não-Verbal.(gestos e movimentos)
Em uma conversa frente a frente, o impacto é:
 35% Verbal (palavras)
 65% Não-Verbal (gestos e movimentos)
Os resultados destas pesquisas sugerem que a desconsideração da linguagem do corpo em um processo comunicacional representaria o desperdício de mais da metade das informações realmente transmitidas por um emissor.

4. A escuta em Freud

Foi Sigmund Freud o principal inaugurador do que chamamos de “espaço da fala”. Foi quem mais deu importância à palavra, fazendo com que a escuta ocupasse um lugar central dentro da psicanálise. Ele é o fundador do campo da escuta enriquecendo o processo comunicacional através da teoria psicanalítica.

Citando Freud em “A escuta Psicanalítica”, ALONSO afirma que
“Ao introduzir o conceito de inconsciente, Freud coloca a fala em outro lugar, alguém que fala e ao fazê-lo diz mais do que aquilo que se propunha. Neste falar, em certos momentos, a lógica consciente se rompe, se desvanece, e algo diferente se torna presente, manifestando uma outra lógica. A lógica do processo primário, presente no lapso, no sonho, no chiste, no esquecimento, na frase contraditória, no duplo sentido de uma frase que Freud manda Dora escutar quando lhe diz: “Memorize você bem suas próprias palavras. Talvez tenhamos que voltar a elas. Você falou, textualmente, que durante a noite algo pode acontecer que obrigue alguém a sair do quarto”

Após a teoria psicanalítica aquilo que antes não tinha muito sentido passa a ter um significado, fazendo conexão com eventos do passado, principalmente da infância. É exatamente neste contexto que iremos entender a idéia de que nada acontece por acaso. Desta forma, aplicando a relação de comunicação com o outro a uma abordagem psicanalítica, percebe-se a necessidade de se atentar para todos os detalhes na relação de diálogo. Há muito mais informações nas entrelinhas daquilo que é dito do que de fato naquilo que o emissor está falando, mesmo aquilo que se julga sem significado, principalmente por parte da pessoa que fala.

De acordo com SAURÍ :
“escutar refere imediatamente a fala e sua raiz latina vincula ‘o escutado’ ao ato de ouvir e de ‘montar guarda’; situação em que o escuta, cumprindo ofício de sentinela, vigia os sons provenientes de um campo diferente do seu próprio”

Tal citação traduz claramente a função proposta pela pessoa que se dispõe a escutar.

Outro ponto importante da teoria psicanalítica que merece destaque são os conceitos de transferência e contra-transferência. Na transferência os desejos inconscientes concernentes a objetos externos passam a se repetir, no âmbito da relação, na pessoa que se ocupa do ouvir. ROUDINESCO & PLON, 1998, p. 766-767). Podemos entender que se trata de um conjunto de sentimentos positivos ou negativos não justificáveis na presente relação mas fundamentados nas experiências da vida. A característica da transferência é repetir padrões da infância em um processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam na figura do outro, em nosso caso, na pessoa daquele que assume a posição de ouvinte na relação. Tal fenômeno tem sua importância nas relações comunicacionais facilitando os canais de comunicação e com isso permitindo que elementos inconscientes que contribuem para o sofrimento da pessoa possam se tornar conteúdo consciente e assim promover o crescimento pessoal.

Na contratransferência temos um “conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e, mais particularmente, à transferência deste” (LAPLANCHE & PONTALIS, 2001, p. 102). Segundo Freud, seria um obstáculo à analise e sendo assim deveria ser neutralizado e superado.

Pensando estas duas questões, transferência e contra-transferência, dentro de uma relação comunicacional, podemos entender que neste processo há um forte envolvimento emocional entre o emissor e receptor e que sem este envolvimento não há possibilidade de crescimento pessoal, ou seja, o efeito terapêutico não acontece.

5. Ética do sigilo

Não poderíamos deixar de abordar um tema de extrema importância para todos aqueles que se propõe ao desenvolvimento da aptidão de uma escuta terapêutica: Ética do sigilo. Tudo o que é dito pertence ao que diz. Eu posso saber por ele, mas é dele. O que foi dito foi dito para você e que fique exatamente assim. Importante deixar claro para o outro que os assuntos tratados no diálogo não serão levados para fora daquele espaço de fala. Do contrário estará demonstrado total despreparo para a prática da escuta terapêutica. Temos que ter respeito aos segredos das pessoas. As informações são sigilosas, representando algo que nos é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória.

6. Considerações finais

Não foi pretensão nossa esgotar todas as questões que envolvem tema tão importante. Apenas contribuir com alguns conceitos que pudessem facilitar o desenvolvimento da aptidão de uma escuta terapêutica com excelência a partir do diálogo. Pelo exposto acima, acreditamos que o conhecimento dos principais elementos do processo comunicacional com a contribuição de conceitos da teoria psicanalítica, enquanto abordagem que tanto contribuiu, através da figura de Sigmund Freud, facilite mais o encontro e promova o crescimento das pessoas. Lançamos luzes sobre tema tão importante esperando que outros dêem continuidade a este trabalho, enriquecendo-o.

7. Referências Bibliográficas

ALONSO, Silvia Leonor. A escuta psicanalítica. Artigo extraído em http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs35/35Alonso1.htm . 27/06/1007 - 16:25h

DARWIN, C. A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais. 2. ed. Tradução: Leon de Souza Lobo Garcia. São Paulo: Cia das Letras, 2000. Tradução de: The Expression of the Emotions in Man and Animals.

DRUCKER, Peter F. Foundation Liderança para o Século XXI. Editora Futura. 1ª edição – 2000.

FERREIRA, ABH. Minidicionário da língua portuguesa. 3ª ed. Rio de Janeiro (RJ): Nova Fronteira; 1993.

FREUD, S. Análisis fragmentário de una histeria. in Obras completas, Biblioteca Nueva, Tomo I, p. 958.

FREUD, S. (1916/1976). Conferências introdutórias sobre psicanálise. Conferência XXVII – Transferência. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 16, pp. 503-521). Rio de Janeiro: Imago.

FREUD, S. Observaciones sobre el amor de transferência. in Obras completas, Biblioteca Nueva, Tomo II, 1914, p. 1692.

JAKOBSON, Roman. Lingüística e Comunicação. São Paulo: Cultrix, Tradução de Izidoro Blikstein e José Paulo Paes. 1989.

MAGNE, Augusto. Dicionário etimológico da língua latina. Rio de Janeiro: INL,
1952.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Humano, demasiado humano. São Paulo. Ed Escala. 2ª edição – 2007.

SAURÍ, Jorge (compilador), Las histerias, Ediciones Nueva Visión.

WEIL, Pierre e TOMPAKOW. O Corpo Fala. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 1996.

CONTATOS

cabral @ 06:47

CONTATOS

Nildson Alves Cabral

Telefones: (27) 9227-6498 / (27) 3369-0706

Cabralpsi2@hotmail.com / www.cabralpsi.nireblog.com

APRESENTAÇÃO

cabral @ 06:44

Consultoria, Qualificação e Desenvolvimento Humano
N. A. Cabral
Pela presente, apresentamos N. A. Cabral – Consultoria, Qualificação e Desenvolvimento Humano, cujos objetivos são: ministrar Palestras, Treinamentos, Cursos e prestar serviços de consultoria, tendo como objetivo promover o crescimento pessoal, profissional e organizacional.

A visão que temos do Ser Humano é holística. O entendemos como um todo integrado ao mundo e, baseado neste princípio, temos por missão promover o desenvolvimento do mesmo e auxiliar as organizações na busca por melhores resultados em suas atividades.

Nossas atividades são realizadas em diferentes segmentos, como por exemplo: escolas, empresas públicas e privadas e para pessoas que tenham interesse em se desenvolver pessoalmente e profissionalmente.

APRESENTAÇÃO

NILDSON ALVES CABRAL é Professor, Psicólogo pela Universidade Federal do Espírito Santo, Gestalt-terapeuta pelo Instituto Gestalt do Espírito Santo, possui ampla vivência em treinamento, dinâmica de grupo, cursos e palestras na área de psicologia e educação. Desde 2002 ministrando aulas e palestras em vários municípios de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo em escolas, faculdades e outras instituições educacionais. Atualmente trabalha como psicólogo clínico realizando atendimentos individuais e de grupo, professor de psicologia, psicopatologia, estudos das correntes psicanalíticas e psicologia do desenvolvimento na ESPO –Escola Superior de Psicanálise e Orientação e FUV – Faculdade Unida de Vitória. Suas palestras são motivacionais, objetivando uma melhor integração, ampliação da consciência e melhoria de atitudes o que contribui para uma melhor qualidade no trabalho e nas relações. Todas as palestras, vivências e treinamentos são práticas e visam provocar mudanças rápidas.

METAS

• Treinar e capacitar professores e colaboradores de sua empresa
• Possibilitar o crescimento e transformação das pessoas, através do controle emocional, conquista da auto-estima e ampliação da consciência.

Desenvolvemos as seguintes atividades:

CURSOS E TREINAMENTOS

1. EXCELÊNCIA EM ATENDIMENTO AO PÚBLICO
O Cliente Bem Atendido é Sempre a Melhor Estratégia – 04 horas
2. DINÂMICAS DE GRUPO
A melhor estratégia para conquistar seu aluno – 10 horas
Curso de Formação – 80 horas
3. TÉCNICAS DE MEMORIZAÇÃO
Para alunos do ensino fundamental, médio e pré-vestibular – 4 horas

PALESTRAS

1. EXPLORANDO OS CANAIS AUDITIVOS, CINESTÉSICOS E VISUAIS
Como planejar uma aula mais proveitosa
Duração: 3 horas
2. ADOLESCÊNCIA E AGRESSIVIDADE
Professores e pais entendendo melhor o comportamento de crianças e adolescentes
Duração: 3 horas
3. O QUE TODO MENINO DEVE SABER
Um debate franco e aberto sobre sexo com pais, filhos adolescentes e professores
Duração: 3 horas
4. O QUE TODA MENINA DEVE SABER
Um debate franco e aberto sobre sexo com pais, filhas adolescentes e professores
Duração: 3 horas

5. ATITUDE E ÉTICA NA EDUCAÇÃO

Aborda valores e princípios essenciais, a relação entre ética e afetividade, questões de limites, disciplina, responsabilidade, autenticidade, inteireza, compromisso, respeito e empatia. Estimula a melhora da qualidade interna e das relações humanas.

Duração: 3 horas

WORKSHOP TEÓRICO VIVENCIAL

O que somos em nosso cotidiano, não representa de fato o nosso verdadeiro ser. Nesse vai e vem da vida, é comum nos estranharmos e, nesse estranhamento, nos sentimos robotizados, aprisionados e angustiados. Nossa espontaneidade vai rio abaixo, carregado pela correnteza de um sistema frio e cruel, que não nos permite desfrutar da capacidade de entrar em intimidade com o outro, fazendo-nos perder a autonomia de vida.

Objetivos

O objetivo deste workshop teórico vivencial é suscitar no participante a sua capacidade de ultrapassar os limites impostos pelo meio e redescobrir o seu verdadeiro ser.

Temas e Práticas

• Consciência corporal, Os contos de fadas e a sua história de vida, Relaxamento, Fazendo contato, Musicoterapia, Teatro – Psicodrama, Os papéis que vivemos na vida, Tirando as máscaras.

PSICOLOGIA

• Atendimento individual / terapia
• Atendimento de grupo
• Orientação Vocacional
• Seleção e Orientação Profissional
• Psicodiagnóstico
CONTATOS

Nildson Alves Cabral

Telefones: (27) 9227-6498 / (27) 3369-0706

cabralpsi2@hotmail.com / www.cabralpsi.nireblog.com

26/06/2007 GMT 4

GLOSSÁRIO COM TERMOS PSICANALÍTICOS

cabral @ 18:27

GLOSSÁRIO COM TERMOS PSICANALÍTICOS
- Dra Ruth M. Cerqueira Leite, do Departamento de Psiquiatria da Unicamp -
(Jornal "Folha de São Paulo", Folhetim, 23 de setembro de 1979)
1) Ab-Reação - Descarga emocional, pela qual o afeto ligado a uma recordação traumática é liberado, quando esta, até então inconsciente, chega à consciência. A ab-reação pode ser provocada durante o processo terapêutico, mas põe também ocorrer espontaneamente.
2) Acting-Out - Expressão inglesa, que em sua essência significa substituição momentânea do pensamento pela ação, onde domina o caráter impulsivo, e a incapacidade para raciocinar. Na psicanálise é interpretado como o retorno abrupto de um conteúdo reprimido (ver repressão), cujo afeto é demasiado intenso para ser descarregado em palavras.
3) Afeto - Termo geral que designa os sentimentos e emoções. Considera-se que o afeto nem sempre está ligado à idéia (recordação, representação). No caso em que a recordação é muito dolorosa e ameaçadora, o ego a reprime (ver repressão) mas o afeto correspondente pode se deslocar para outras idéias associadas menos perigosas, ludibriando a censura e liberando-se parcialmente ao chegar à consciência.
4) Agorafobia - Forma de fobia onde o indivíduo teme os espaços abertos (ruas, praças, campos abertos ) e reage com angústia ao ter que enfrentá-los sozinho.
5) Angústia - Reação emocional intensa como resposta a um perigo real ou imaginário (angústia automática). Na psicanálise essa angústia automática é resultado de uma fluxo incontrolável de excitações de origem interna ou externa.
6) Aparelho Psíquico - Designa os modelos concebidos por Freud para explicar a organização e o funcionamento da mente. Para isso ele propôs algumas hipóteses entre as quais as mais conhecidas são: a hipótese econômica que concerne essencialmente á quantidade e movimento da energia na atividade psíquica; a hipótese topográfica que tenta localizar a atividade mental em alguma parte do aparelho, que ele divide em: consciente preconsciente e inconsciente; e a hipótese estrutural na qual ele divide a mente em três instâncias funcionais: Id, ego e superego, atribuindo a cada uma delas uma função específica.
7) Catarse - Método terapêutico que permite a evocação e a revivência de acontecimentos traumáticos que foram reprimidos, permitindo a descarga dos afetos ligados a estes (ver ab-reação).
8) Censura - Barreira que impede que ideais e afetos reprimidos no inconsciente cheguem ao consciente.
9)Claustrofobia - E ação emocional intensa e injustificada a lugares fechados.
10) Complexo de Castração - Ao perceber que há pessoas que não possuem pênis, o menino começa a temer a perda do seu próprio. Sente isso como uma ameaça paterna por suas atividades sexuais e seus desejos incestuosos. A menina sente a ausência de pênis como uma perda já consumada e procura de alguma forma compensá-la. A ansiedade de castração tem um lugar fundamental na evolução da sexualidade infantil dos dois sexos e aparece constantemente na experiência analítica subjacente às modalidades de relacionamento do indivíduo com seu mundo interno e externo.
11) Complexo de Édipo - De acordo com Freud a criança entre 2 e 5 anos aproximadamente desenvolve intenso sentimento de amor pelo genitor do sexo oposto e grande hostilidade pelo do próprio sexo, a quem deseja eliminar como a um rival. Esses sentimentos geralmente são vividos com grande intensidade e ao mesmo tempo com grande ambivalência, pois embora odeie o genitor do mesmo sexo, que o impede de realizar seus desejos, também o ama por tudo de bom que ele representa. Surge então a culpa e o medo à retaliação (medo à castração). Esse conflito geralmente declina após a idade de 5 anos e reaparece com o advento da puberdade, sendo um dos fatores que contribuem para a crise da adolescência. De uma resolução satisfatória desse conflito depende uma boa estruturação da personalidade
12) Condensação - é um processo característico do pensamento inconsciente e no qual duas (ou mais) imagens se combinam para formar uma imagem composta que está investida do afeto derivado de ambas. Encontramos exemplos desse processo nos sonhos principalmente.
13) Conflito - Na psicanálise, refere-se geralmente, ao conflito interno entre impulsos instintivos e entre as instâncias (id, ego e superego) e ao conflito edipiano (Ver Complexo de Édipo).
14) Defesa - É o conjunto de manobras inconscientes (mecanismos de defesa) que o ego se utiliza para evita ameaças à sua própria integridade. Essas ameaças podem surgir pela intensificação dos impulsos instintivos que põem em perigo o equilíbrio do ego, que tem como função harmonizar esse impulsos com os imperativos do superego ("consciência moral") e às exigências da realidade externa.

15) Ego - É uma das três instâncias (id, ego e superego) que Freud concebeu em um de seus modelos para explicar o funcionamento da mente humana (ver aparelho psíquico). O ego é a parte organizada desse sistema que entra em contato direto com a realidade externa e através de suas funções tem capacidade de atuar sobre esta numa tentativa de adaptação. Por isso, estão sob o domínio do ego as percepções sensoriais, os controles e habilidades para atuar sobre o ambiente, a capacidade de lembrar, comparar e pensar. No âmbito de sua relações com as outras duas instâncias do sistema e o ego assume o papel de mediador e integrador dos impulsos instintivos do id (ver id) e as exigências do superego (ver superego), para adaptá-los à realidade externa.
16) Fantasia - refere-se à atividade imaginativa subjacente a todo pensamento e sensação. As fantasias podem se apresentar sob forma consciente, como acontece nos sonhos diurnos, ou inconscientes, subjacentes a um conteúdo manifesto como nos sonhos ou nos sintomas neuróticos etc. Está sempre ligada intimamente aos desejos instintivos.
17) Fase Anal - É a Segunda do desenvolvimento libidinal (ver libido), e está situada entre um e três anos de idade. Nesta fase os interesses da criança se organizam predominantemente em torno da função anal, pelo prazer que sente na expulsão e retenção das fezes, que ela agora consegue controlar através de um crescente domínio muscular. Esse controle tem também conseqüências importantes no relacionamento interpessoal com o meio ambiente. A criança agora é capaz de dar e negar (as fezes) de colocar esse controle a serviço as expectativas do meio ou de sua necessidade e prazer. As atitudes que se formam nessas interações com o meio vão estabelecer em grande parte as bases de seus futuros relacionamentos.
18) Fase Fálica - Nesta fase que vai de 3 a 5 anos aproximadamente, a libido concentra-se nos órgãos genitais que se tornam a zona erógena predominante. Os conflitos dessa fase estão ligados ao Complexo de Édipo, com o surgimento de desejos incestuosos e seu conseqüente temor à castração. Oscila o seu comportamento entre a iniciativa e a culpa.

19) Fase de Latência - Inicia-se por volta dos 5 anos e se estende até o início da puberdade. Caracteriza-se principalmente pelo declínio dos interesses sexuais, que segundo a teoria psicanalítica são reprimidos e só aparecem na adolescência. Nessa fase tendo superado em parte os conflitos do Complexo de Édipo, amplia seu ambiente social procurando estabelecer novos contatos, assim como se dedica a adquirir novas habilidades na aprendizagem escolar, nos esportes etc..
20) Fase Oral - corresponde ao 1º ano de vida de uma criança, onde seus contatos mais significativos são feitos através da boca. Além de sua função na alimentação, ela é também a sede principal dos prazeres eróticos da criança nessa fase. Podemos observar que uma criança inquieta pode se acalmar com uma chupeta porque a sucção produz uma satisfação erótica que alivia as sensações do organismo.
Nessa fase a criança é essencialmente dependente e receptiva. A incorporação e o modelo básico de seu comportamento nas interações com o meio.
O relacionamento que estabelece com a mãe nesse período da vida vai ter uma importância fundamental na forma que a criança vai configurar o mundo e se relacionar em seu ambiente. Uma boa mãe saberá dosar bem a satisfação das necessidades de seu bebê e as restrições, o que estabelecerá uma base de confiança nos futuros relacionamentos.
Distúrbios no desenvolvimento desta fase geralmente se evidenciam mais tarde por traços de dependência excessiva de outras pessoas, de alimentos (obesidade), de álcool (alcoolismo) ou de qualquer outra coisa.
21) Fixação - Processo pelo qual o indivíduo permanece vinculado a modos de satisfação ou padrões de comportamento característicos de uma fase anterior de seu desenvolvimento libidinal (ver libido). A fixação pode ser também a pessoas significativas da infância. Assim encontramos expressões freqüentemente usadas na psicanálise como fixação oral, fixação anal, fixação maternal, fixação paternal. Chamamos pontos de fixação àqueles momentos do desenvolvimento libidinal que foram perturbados e dos quais o indivíduo permanece fixado ou dos quais regride em estado de tensão.
22) Histeria - Tipos de neurose que se caracterizam principalmente pelos distúrbios funcionais de aparência orgânica, como paralisias, perturbações sensoriais, crises nervosas, sem evidência de patologia física, e que se manifestam de modo a sugerir que servem a alguma função psicológica.
As formas sintomáticas melhor definidas são a "histeria de conversão" onde o conflito psíquico se expressa nos mais diversos sintomas corporais (como paralisias, crises emocionais, anestesias) e a "histeria de angústia" também conhecida como "fobia", onde o agente de perseguição interno é deslocado e fixado em algum objeto (ver Objeto) do mundo externo.
23) Idealização - Processo no qual o indivíduo supervaloriza o objeto (ver objeto) negando-se a ver todos os aspectos que possam desvalorizá-lo.
24) Identificação - Processo pelo qual o indivíduo se torna idêntico a outro pela assimilação de traços ou atributos daquele que lhe serve de modelo. Nesse processo o indivíduo, tanto pode assimilar aspectos de outra pessoa como também pode, identificar em outros aspectos seus. É através das identificações que desde o princípio a personalidade se forma e se diferencia.
25) Id - Uma das instâncias da teoria estrutural (id, ego, superego) do aparelho psíquico. O Id que opera em nível inconsciente contém os impulsos instintivos que se originam na organização somática e ganham aqui expressão psíquica e também idéias e recordações que por serem insuportáveis ao indivíduo foram reprimidas. É considerado como um reservatório de energia, com a qual alimenta também as outras instâncias (ego e superego). Porém, não possui uma organização comparável à do ego, pois é regido pelo Princípio do Prazer, que busca sempre a satisfação, ignorando as diferenças e contradições e sem a capacidade de considerar espaço e tempo. Sua interação com as outras instâncias é geralmente conflituosa pois o ego sob os imperativos do superego e as exigências da realidade tem que avaliar e controlar os impulsos provindos do Id, permitindo sua satisfação, adiando-a ou inibindo-a totalmente.
26) Inconsciente - É possivelmente o conceito mais fundamental da teoria freudiana. Em seu trabalho Freud demonstrou que o conteúdo da mente não se reduz ao consciente, mas que pelo contrário a maior parte da vida psíquica se desenrola em nível inconsciente. Ali se encontram principalmente idéias (representações de impulsos) reprimidas, às quais é negado o acesso à consciência mas que têm grande influência na vida consciente. Estas idéias reprimidas aparecem de forma disfarçada nos sonhos e nos sintomas neuróticos principalmente e é através do seu conhecimento que podemos chegar até o conflito neurótico durante um processo terapêutico geralmente. O inconsciente é uma das entidades do 1º modelo da mente criado por Freud (ver aparelho psíquico).
27) Insight - Percepção pelo indivíduo dos significados, antes inconscientes, subjacentes e seus comportamentos e pensamentos. O Insight pode ser intelectual onde a compreensão do significado ocorre sem a vivência afetiva correspondente, ou emocional onde essa compreensão é acompanhada da descarga emocional.

28) Libido - É a energia inerente aos movimentos e transformações dos impulsos sexuais. Ela é a contrapartida psíquica da excitação sexual somática. É uma palavra latina que significa desejo, vontade.
29) Masoquismo - É uma forma de perversão sexual na qual a satisfação é obtida através de sofrimento e humilhação do próprio indivíduo.
30) Metapsicologia - Termo criado por Freud para designar as formulações que fez para descrever os fenômenos mentais do ponto de vista dinâmico, tópico e econômico (ver aparelho psíquico).
31) Narcisismo - Perversão em que o indivíduo escolhe a si mesmo como objeto sexual.
32) Neurose - Em sua essência vai designar os distúrbios dos comportamentos, sentimentos ou idéias, que surgem como resultado de um conflito entre o id e o ego, onde uma tendência instintiva é reprimia pelo ego dando lugar á formação de sintomas neuróticos. Estes sintomas são percebidos pelo indivíduo como algo estranho e incompreensível dentro do quadro geral de sua personalidade. Podem consistir de alterações das funções corporais (cegueira histérica, por exemplo) onde não há nenhuma explicação fisiológica para o distúrbio; de emoções e ansiedades injustificadas como no caso de neurose obsessiva.
O que mais caracteriza a neurose em contraste com a psicose é a preservação do contato do indivíduo com a realidade. Mantém assim apesar das distorções causadas pelos sintomas uma boa margem de senso crítico e a capacidade de perceber sua própria doença.
33) Objeto - Na teoria psicanalítica significa aquilo através do que um impulso instintivo pode obter satisfação. Pode ser uma pessoa em sua totalidade ou parte dessa pessoa (como o seio para o bebê)., pode ser uma entidade ou um ideal. Os objetos podem ser reais ou imaginados.

34) Paranóia - É uma psicose funcional (ver psicose) que se caracteriza pela presença de delírios mais ou menos sistematizados, que mantém certa lógica e coerência interna e sem que haja uma deteriorização do intelecto.
35) Perversão - qualquer forma de conduta sexual adulta, na qual o prazer não seja obtido pela penetração genital com indivíduo do outro sexo.
36) Pre-Consciente - Refere-se aos pensamentos que não são conscientes num dado momento mas que podem chegar espontaneamente à consciência ou por evocação do próprio indivíduo. Diferem dos pensamentos inconscientes que por terem sido reprimidos não têm acesso à consciência a não ser em circunstâncias muito especiais.
Como substantivo refere-se a um sistema do aparelho psíquico, concebido por Freud (ver aparelho psíquico).
37) Projeção - Processo defensivo (ver defesa) no qual o indivíduo atribui a outro (pessoa ou coisa) sentimentos e desejos que seria penoso admitir como seus próprios.
38) Psicanálise - Disciplina criada por Freud que consiste em um método par investigação dos processos mentais, um método de tratamento das desordens psíquicas e um corpo e teorias que tenta sistematizar os dados introduzidos pelos métodos psicanalíticos mencionados acima.
A técnica psicanalítica de tratamento consiste basicamente em levar o paciente a associar livremente, isto é, exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que lhe ocorrem sem preocupação de dar-lhes sentido ou coerência; interpretar tanto as associações como os obstáculos que encontra ao associar ajudando assim o paciente a eliminar as resistências que o impedem de tomar contato com os conflitos inconscientes; e interpretar seus sentimentos e atitudes em relação ao analista, pois o paciente tende a repetir na relação terapêutica as modalidades de relacionamento que teve com seus progenitores durante a infância (ver transferência).
Em resumo, chamamos psicanálise o trabalho que ajuda o paciente a tornar conscientes suas experiências reprimidas, expondo assim suas motivações até então desconhecidas.
39) Psicose - Perturbação grave das funções psíquicas que se caracteriza principalmente pela perda de contato com a realidade, pela incapacidade de adaptação social, por perturbações da comunicação e ausência de consciência da doença. Para Freud a psicose é resultado do conflito entre o ego e o mundo exterior. Diante da frustração de fortes desejos infantis, o ego nega a realidade externa e procura construir através do delírio um mundo interno e externo de acordo com as tendências do id. A psiquiatria distingue duas classes de psicoses: as orgânicas onde uma enfermidade orgânica é encontrada como causa e as funcionais onde não há lesão orgânica demonstrável. Três formas de psicose funcional são reconhecidas: a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva e a paranóia.
40) Psicose Maníaco Depressiva - Psicose em que se alternam períodos de mania (euforia, auto-confiança exagerada) e depressão, geralmente com períodos intermediários de normalidade.
41) Psicoterapia - Termo comumente usado para designar as formas de tratamento psicológico que se diferenciam da psicanálise, a qual é uma forma de terapia mais profunda, mais intensa e total que qualquer outra. A "psicoterapia de orientação psicanalítica" usa a teoria psicanalítica em combinação com outras técnicas. A psicoterapia pode ser individual ou em grupo, superficial ou profunda, de apoio ou sugestiva. Pode ter marcos referenciais teóricos os mais diversos, como vemos na gestalt, no psicodrama, na análise transacional etc. Considera-se que de modo geral seu trabalho é feito principalmente nos níveis mais conscientes da personalidade.
42) Racionalização - Processo defensivo (ver defesa) no qual o indivíduo procura justificar suas ações de forma coerente desconhecendo entretanto suas motivações inconscientes.
43) Regressão - Processo defensivo do qual o indivíduo, a fim de evitar a angústia, retorna a uma fase anterior do desenvolvimento, apresentando os padrões de comportamento daquela fase.
44) Repressão - Mecanismo de defesa do ego (ver defesa)., pelo qual as representações de impulsos que podem produzir angústia são mantidas recalcadas no inconsciente.
45) Sadismo - Perversão sexual, na qual o prazer erótico está vinculado ao sofrimento e humilhação que o indivíduo inflige a outro.
46) Sublimação - Processo pelo qual a energia dos instintos sexuais é deslocada para atividades ou realizações de valor social ou cultural, como as atividades artísticas ou intelectuais.
47) Superego - Uma das três instâncias da personalidade, que Freud concebeu em um dos modelos do aparelho psíquico (ver aparelho psíquico). O superego é formado a partir das identificações com os genitores, dos quais ele assimila as ordens e proibições. Assume então o papel de juiz e vigilante, formando uma espécie de auto-consciência moral Os mandatos do superego incluem muitos elementos inconscientes que derivam do passado do indivíduo e que podem entrar em conflito com seus valores atuais.
Com relação as outras instâncias, ele é o controlador por excelência dos impulsos do id e age como colaborador nas funções do ego, mas muitas vezes ele se torna extremamente severo anulando as possibilidades de satisfação instintiva e a capacidade de livre escolha do ego.
48) Transferência - É um processo pelo qual o indivíduo recapitula em suas relações atuais, especialmente com seu terapeuta, as relações que teve com seus genitores na infância. A transferência se dá geralmente com pessoas que representam alguma autoridade como no relacionamento professor-aluno, médico-paciente, patrão-empregado. Freud, a princípio encontrou na transferência um obstáculo para o tratamento, porém mais tarde utilizou-a como uma parte essencial do processo terapêutico.
-->

LUTO E MELANCOLIA

cabral @ 18:24

LUTO E MELANCOLIA

Tendo os sonhos nos servido de protótipo das perturbações mentais narcisistas na vida normal, tentaremos agora lançar alguma luz sobre a natureza da melancolia, comparando-a com o afeto normal do luto. Dessa vez, porém, devemos começar por fazer uma confissão, como advertência contra qualquer superestimação do valor de nossas conclusões. A melancolia, cuja definição varia inclusive na psiquiatria descritiva, assume várias formas clínicas, cujo agrupamento numa única unidade não parece ter sido estabelecido com certeza, sendo que algumas dessas formas sugerem afecções antes somáticas do que psicogênicas. Nosso material, independentemente de tais impressões acessíveis a todo observador, limita-se a um pequeno número de casos de natureza psicogênica indiscutível. Desde o início, portanto, abandonaremos toda e qualquer reivindicação à validade geral de nossas conclusões, e nos consolaremos com a reflexão de que, com os meios de pesquisa à nossa disposição hoje em dia, dificilmente descobriríamos alguma coisa que não fosse típica, se não de toda uma classe de perturbações, pelo menos de um pequeno grupo delas.
A correlação entre a melancolia e o luto parece justificada pelo quadro geral dessas duas condições.
Além disso, as causas excitantes devidas a influências ambientais são, na medida em que podemos discerni-las, as mesmas para ambas as condições. O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos que seja superado após certo lapso de tempo, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele.
Os traços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto-envilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição. Esse quadro torna-se um pouco mais inteligível quando consideramos que, com uma única exceção, os mesmos traços são encontrados no luto. A perturbação da auto-estima está ausente no luto; fora isso, porém, as características são as mesmas. O luto profundo, a reação à perda de alguém que se ama, encerra o mesmo estado de espírito penoso, a mesma perda de interesse pelo mundo externo na medida em que este não evoca esse alguém , a mesma perda da capacidade de adotar um novo objeto de amor (o que significaria substituí-lo) e o mesmo afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre ele. É fácil constatar que essa inibição e circunscrição do ego é expressão de uma exclusiva devoção ao luto, devoção que nada deixa a outros propósitos ou a outros interesses. E, realmente, só porque sabemos explicá-la tão bem é que essa atitude não nos parece patológica.
Parece-nos também uma comparação adequada chamar a disposição para o luto de "dolorosa". É bem provável que vejamos a justificação disso quando estivermos em condições de apresentar uma caracterização da economia da dor.
Em que consiste, portanto, o trabalho que o luto realiza ? Não me parece forçado apresentá-lo da forma que se segue. O teste da realidade revelou que o objeto amado não existe mais, passando a exigir que toda a libido seja retirada de suas ligações com aquele objeto. Essa exigência provoca uma oposição compreensível é fato notório que as pessoas nunca abandonam de bom grado uma posição libidinal, nem mesmo, na realidade, quando um substituto já se lhes acena. Essa oposição pode ser tão intensa que dá lugar a um desvio da realidade e a um apego ao objeto por intermédio de uma psicose alucinatória carregada de desejo. Normalmente, prevalece o respeito pela realidade, ainda que suas ordens não possam ser obedecidas de imediato. São executadas pouco a pouco, com grande dispêndio de tempo e de energia catexial, prolongando-se psiquicamente, nesse meio tempo, a existência do objeto perdido. Cada uma das lembranças e expectativas isoladas, através das quais a libido está vinculada ao objeto, é evocada e hipercatexizada, e o desligamento da libido se realiza em relação a cada uma delas. Por que essa transigência, pela qual o domínio da realidade se faz fragmentariamente, deve ser não extraordinariamente penosa, de forma alguma é coisa fácil de explicar em termos de economia. É notável que esse penoso desprazer seja aceito por nós como algo natural. Contudo, o fato é que, quando o trabalho do luto se conclui, o ego fica outra vez livre e desinibido.
Apliquemos agora à melancolia o que aprendemos sobre o luto. Num conjunto de casos é evidente que a melancolia também pode constituir reação à perda de um objeto amado. Onde as causas excitantes se mostram diferentes, pode-se reconhecer que existe uma perda de natureza mais ideal.
O objeto talvez não tenha realmente morrido, mas tenha sido perdido enquanto objeto de amor (como no caso, por exemplo, de uma noiva que tenha levado o foro). Ainda em outros casos nos sentimos justificados em sustentar a crença de que uma perda dessa espécie ocorreu; não podemos, porém, ver claramente o que foi perdido, sendo de todo razoável supor que também o paciente não pode conscientemente perceber o que perdeu. Isso, realmente, talvez ocorra dessa forma, mesmo que o paciente esteja cônscio da perda que deu origem à sua melancolia, mas apenas no sentido de que sabe quem ele perdeu, mas não o que perdeu nesse alguém. Isso sugeriria que a melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda.
No luto, verificamos que a inibição e a perda de interesse são plenamente explicadas pelo trabalho do luto no qual o ego é absorvido. Na melancolia, a perda desconhecida resultará num trabalho interno semelhante e será, portanto, responsável pela inibição melancólica. A diferença consiste em que a inibição do melancólico nos parece enigmática porque não podemos ver o que é que o está absorvendo tão completamente. O melancólico exibe ainda uma outra coisa que está ausente no luto uma diminuição extraordinária de sua auto-estima, um empobrecimento de seu ego em grande escala. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível, ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e .punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua auto-crítica até o passado, declarando que nunca foi melhor. Esse quadro de um delírio de inferioridade (principalmente moral) é completado pela insônia e pela recusa a se alimentar, e o que é psicologicamente notável por uma superação do instinto que compele todo ser vivo a se apegar à vida.
Seria igualmente infrutífero, de um ponto de vista científico e terapêutico, contradizer um paciente que faz tais acusações contra seu ego. Certamente, de alguma forma ele deve estar com a razão e descreve algo que é como lhe parece ser. Devemos, portanto, confirmar de imediato, e sem reservas, algumas de suas declarações. Ele se encontra, de fato, tão desinteressado e tão incapaz de amor e de realização quanto afirma. Mas isso, como sabemos, é secundário; trata-se do efeito do trabalho interno que lhe consome o ego trabalho que, nos sendo desconhecido, é, porém, comparável ao do luto. O paciente também nos parece justificado em fazer outras auto-acusações; apenas, ele dispõe de uma visão mais penetrante da verdade do que outras pessoas que não são melancólicas. Quando, em sua exacerbada auto-crítica, ele se descreve como mesquinho, egoísta, desonesto, carente de independência, alguém cujo único objetivo tem sido ocultar as fraquezas de sua própria natureza, pode ser, até onde sabemos, que tenha chegado bem perto de se compreender a si mesmo; ficamos imaginando, tão-somente, por que um homem precisa adoecer para ter acesso a uma verdade dessa espécie. Com efeito, não pode haver dúvida de que todo aquele que sustenta e comunica a outros uma opinião de si mesmo como esta (opinião que Hamlet tinha a respeito tanto de si quanto de todo mundo), está doente, quer fale a verdade, quer se mostre mais ou menos injusto para consigo mesmo. Tampouco é difícil ver que, até onde podemos julgar, não há correspondência entre o grau de auto-degradação e sua real justificação. Uma mulher boa, capaz e conscienciosa, não terá palavras mais elogiosas para si mesma, durante a melancolia, do que uma que de fato seja desprovida de valor; realmente, talvez a primeira tenha mais probabilidades de contrair a doença do que a segunda, a cujo respeito também nós nada teríamos a dizer de bom. Por fim, deve ocorrer-nos que, afinal de contas, o melancólico não se comporta da mesma maneira que uma pessoa esmagada, de uma forma normal, pelo remorso e pela auto-recriminação. Sentimentos de vergonha diante de outras pessoas que, mais do que qualquer outra coisa, caracterizariam essa última condição, faltam ao melancólico ou, pelo menos, não são proeminentes nele. Poder-se-ia ressaltar a presença nele de um traço quase oposto, de uma insistente comunicabilidade, que encontra satisfação no desmascaramento de si mesmo.
O ponto essencial, portanto, não consiste em saber se a auto-difamação aflitiva do melancólico é correta, no sentido de que sua auto-crítica esteja de acordo com a opinião de outras pessoas. O ponto consiste, antes, em saber se ele está apresentando uma descrição correta de sua situação psicológica. Ele perdeu seu amor-próprio e deve ter tido boas razões para tanto. É verdade que então nos deparamos com uma contradição que coloca um problema de difícil solução. A analogia com o luto nos levou a concluir que ele sofrera uma perda relativa a um objeto; o que o paciente nos diz aponta para uma perda relativa a seu ego.
Antes de passarmos a essa contradição, detenhamo-nos um pouco no conceito que a perturbação do melancólico oferece a respeito da constituição do ego humano. Vemos como nele uma parte do ego se coloca contra a outra, julga-a criticamente e, por assim dizer, toma-a como seu objeto. Nossa desconfiança de que o agente crítico, que aqui se separa do ego, talvez também revele sua independência em outras circunstâncias, será confirmada ao longo de toda a observação ulterior.
Realmente, encontraremos fundamentos para distinguir esse agente do restante do ego. Aqui, estamo-nos familiarizando com o agente comumente denominado "consciência"; vamos incluí-lo, juntamente com a censura da consciência e do teste da realidade, entre as principais instituições do ego, e poderemos provar que ela pode ficar doente por sua própria causa. No quadro clínico da melancolia, a insatisfação com o ego constitui, por motivos de ordem moral, a característica mais marcante. Freqüentemente, a auto-avaliação do paciente se preocupa muito menos com a enfermidade do corpo, a feiúra ou a fraqueza, ou com a inferioridade social; quanto a essa categoria, somente seu temor da pobreza e as afirmações de que vai ficar pobre ocupam posição proeminente.
Há uma observação, de modo algum difícil de ser feita, que leva à explicação da contradição mencionada acima [no fim do penúltimo parágrafo]. Se se ouvir pacientemente as muitas e variadas auto-acusações de um melancólico, não se poderá evitar, no fim, a impressão de que freqüentemente as mais violentas delas dificilmente se aplicam ao próprio paciente, mas que, com ligeiras modificações, se ajustam realmente a outrém, a alguém que o paciente ama, amou ou deveria amar. Toda vez que se examinam os fatos, essa conjectura é confirmada. É assim que encontramos a chave do quadro clínico: percebemos que as auto-recriminações são recriminações feitas a um objeto amado que foram deslocadas desse objeto para o ego do próprio paciente.
A mulher que lamenta em altos brados o fato de o marido estar preso a uma esposa incapaz como ela, na verdade está acusando o marido de ser incapaz, não importando o sentido que ela possa atribuir a isso. Não há por que se surpreender com o fato de haver algumas auto-recriminações autênticas difundidas entre as que foram transpostas. Permite-se que estas se intrometam, de uma vez que ajudam a mascarar as outras e a tornar impossível o reconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Além disso, elas derivam dos prós e dos contras do conflito amoroso que levou à perda do amor. Também o comportamento dos pacientes, agora, se torna bem mais inteligível. Suas queixas são realmente "queixumes", no sentido antigo da palavra. Eles não se envergonham, nem se ocultam, já que tudo de desairoso que dizem sobre eles próprios refere-se, no fundo, à outra pessoa.
Além disso, estão longe de demonstrar perante aqueles que o cercam uma atitude de humildade e submissão única que caberia a pessoas tão desprezíveis. Pelo contrário, tornam-se as pessoas mais maçantes, dando sempre a impressão de que se sentem desconsideradas e de que foram tratadas com grande injustiça. Tudo isso só é possível porque as reações expressas em seu comportamento ainda procedem de uma constelação mental de revolta que, por um certo processo, passou então para o estado esmagado de melancolia.
Não é difícil reconstruir esse processo. Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo , mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado.
Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação.
Uma ou duas coisas podem ser diretamente inferidas no tocante às pré-condições e aos efeitos de um processo como este. Por um lado, uma forte fixação no objeto amado deve ter estado presente; por outro, em contradição a isso, a catexia objetal deve ter tido pouco poder de resistência.
Conforme Otto Rank observou com propriedade, essa contradição parece implicar que a escolha objetal é efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo. A identificação narcisista com o objeto se torna então um substituto da catexia erótica; em conseqüência, apesar do conflito com a pessoa amada, não é preciso renunciar à relação amorosa. Essa substituição da identificação pelo amor objetal constitui importante mecanismo nas afecções narcisistas; Karl Landauer (1914), recentemente, teve ocasião de indicá-lo no processo de recuperação num caso e esquizofrenia. Ele representa, naturalmente, uma regressão de um tipo de escolha objetal para o narcisismo original. Mostramos em outro ponto que a identificação é uma etapa preliminar da escolha objetal, que é a primeira forma e uma forma expressa de maneira ambivalente pela qual o ego escolhe um objeto. O ego deseja incorporar a si esse objeto e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o. Abraham, sem vida, tem razão em atribuir a essa conexão à recusa de alimento encontrada em formas graves de melancolia.
A conclusão que nossa teoria exigiria a saber, que a tendência a adoecer de melancolia (ou parte dessa tendência) reside na predominância do tipo narcisista da escolha objectal infelizmente ainda não foi confirmada pela observação. Nas reações introdutórias deste artigo, admiti que o material empírico em que se fundamentou este estudo é insuficiente para as nossas necessidades. Se pudéssemos presumir um acordo entre os resultados da observação e o que inferimos, não hesitaríamos em incluir em nossa caracterização da melancolia essa regressão da catexia objetal para a fase oral ainda narcisista da libido. Também nas neuroses de transferência as identificações com o objeto de modo algum são raras; na realidade, constituem um conhecido mecanismo de formação de sintomas, especialmente na histeria. Contudo, a diferença entre a identificação narcisista e a histérica pode residir no seguinte: ao passo que na primeira a catexia objetal é abandonada, na segunda persiste e manifesta sua influência, embora isso em geral esteja confinado a certas ações e inervações isoladas. Seja como for, também nas neuroses de transferência a identificação é a expressão da existência de algo em comum, que pode significar amor. A identificação narcisista é a mais antiga das duas e prepara o caminho para uma compreensão da identificação histérica, que tem sido estudada menos profundamente.
A melancolia, portanto, toma emprestado do luto alguns dos seus traços e, do processo de regressão, desde a escolha objetal narcisista para o narcisismo, os outros. É por um lado, como o luto, uma reação à perda real de um objeto amado; mas, acima de tudo isso, é assinalada por uma determinante que se acha ausente no luto normal ou que, se estiver presente, transforma este em luto patológico. A perda de um objeto amoroso constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Onde existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a expressar-se sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, que ela a desejou. Esses estados obsessivos de depressão que se seguem à morte de uma pessoa amada, revelam-nos o que o conflito devido à ambivalência pode alcançar por si mesmo quando também não há uma retração regressiva da libido.
Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as pré-condições da melancolia. Se o amor pelo objeto um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A auto-tortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da auto-punição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual sua doença se centraliza, em geral se encontra em seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à "ambivalência", foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito.
É exclusivamente esse sadismo que soluciona o enigma da tendência ao suicídio, que torna a melancolia tão interessante e tão perigosa. Tão imenso é o amor de si mesmo do ego (seIflove), que chegamos a reconhecer como sendo o estado primevo do qual provém a vida instintual, e tão vasta é a quantidade de libido narcisista que vemos liberada no medo surgido de uma ameaça à vida, que não podemos conceber como esse ego consente em sua própria destruição. De há muito, é verdade, sabemos que nenhum neurótico abriga pensamentos de suicídio que não consistam em impulsos assassinos contra outros, que ele volta contra si mesmo, mas jamais fomos capazes de explicar que forças interagem para levar a cabo esse propósito. A análise da melancolia mostra agora que o ego só pode se matar se, devido ao retorno da catexia objetal, puder tratar a si mesmo corno um objeto se for capaz de dirigir contra si mesmo a hostilidade relacionada a um objeto, e que representa a reação original do ego para com objetos do mundo externo. Assim, na regressão desde a escolha objetal narcisista, é verdade que nos livramos do objeto; ele, não obstante, se revelou mais poderoso do que o próprio ego. Nas duas situações opostas, de paixão intensa e de suicídio, o ego é dominado pelo objeto, embora de maneiras totalmente diferentes.
Quanto ao marcante traço particular da melancolia que mencionamos, a proeminência do medo de ficar pobre, parece plausível supor que se origina do erotismo anal que foi arrancado de seu contexto e alterado num sentido regressivo.
A melancolia ainda nos confronta com outros problemas, cuja resposta em parte nos escapa. O fato de desaparecer após certo tempo, sem deixar quaisquer vestígios de grandes alterações, é uma característica que ela compartilha com o luto. Verificamos, à guisa de explanação, que, no luto, se necessita de tempo para que o domínio do teste da realidade seja levado a efeito em detalhe e que, uma vez realizado esse trabalho, o ego consegue libertar sua libido do objeto perdido. Podemos imaginar que o ego se ocupa com um trabalho análogo no decorrer de uma melancolia; em nenhum dos dois casos dispomos de qualquer compreensão interna (insight) da economia do curso dos eventos. Na melancolia, a insônia atesta a rigidez da condição, a impossibilidade de se efetuar o retraimento geral das catexias necessário ao sono. O complexo de melancolia se comporta como uma ferida aberta, atraindo a si as energias catexiais que nas neuroses de transferência denominamos de "anticatexias" provenientes de todas as direções, e esvaziando o ego até este ficar totalmente empobrecido. Facilmente, esse complexo pode provar ser resistente ao desejo, por parte do ego, de dormir.
O que provavelmente é um fator somático, fator este que não pode ser explicado psicologicamente, torna-se visível na melhoria regular da condição, que se verifica por volta do anoitecer. Essas considerações nos levam a perguntar se uma perda no ego, independentemente do objeto um golpe puramente narcisista contra o ego , não bastará para produzir o quadro de melancolia, e se um empobrecimento da libido do ego, directamente por causa de toxinas, não será capaz de produzir certas formas de doença.
A característica mais notável da melancolia, e aquela que mais precisa de explicação, é sua tendência a se transformar em mania estado este que é o oposto dela em seus sintomas. Como sabemos, isso não acontece a toda melancolia. Alguns casos seguem seu curso em recaídas periódicas, entre cujos intervalos sinais de mania talvez estejam inteiramente ausentes ou sejam apenas muito leves. Outros revelam a alteração regular de fases melancólicas e maníacas que leva à hipótese de uma insanidade circular. Veríamo-nos tentados a considerar esses casos como não sendo psicogênicos, se não fosse o fato de que o método psicanalítico conseguiu chegar a uma solução e efetuar uma melhoria terapêutica em vários casos precisamente dessa espécie. Não é apenas permissível, portanto, mas imperioso, estender uma explanação analítica da melancolia também à mania.
Não posso prometer que essa tentativa venha a ser inteiramente satisfatória. Mal nos leva além da possibilidade de tomarmos nossa orientação inicial. Temos duas coisas a empreender: a primeira é uma impressão psicanalítica; a segunda, o que talvez possamos chamar de um tema de experiência econômica geral.
A impressão que vários investigadores psicanalíticos já puseram em palavras é que o conteúdo da mania em nada difere do da melancolia, que ambas as desordens lutam com o mesmo "complexo", mas que, provavelmente, na melancolia o ego sucumbe ao complexo, ao passo que na mania domina-o ou o põe de lado. Nosso segundo indicador é proporcionado pela observação de que todos os estados, tais como a alegria, a exultação ou o triunfo, que nos fornecem o modelo normal para a mania, dependem das mesmas condições econômicas. Aqui, aconteceu que, como resultado de alguma influência, um grande dispêndio de energia psíquica, de há muito mantido ou que ocorre habitualmente, finalmente se torna desnecessário, de modo que se encontra disponível para numerosas aplicações e possibilidades de descarga quando, por exemplo, algum pobre miserável, ganhando uma grande soma de dinheiro, fica subitamente aliviado da preocupação crônica com seu pão de cada dia, ou quando uma longa e árdua luta se vê afinal coroada de êxito, ou quando um homem se encontra em condições de se desfazer, de um só golpe, de alguma compulsão opressiva, alguma posição falsa que teve de manter por muito tempo, e assim por diante. Todas essas situações se caracterizam pela animação, pelos sinais de descarga de uma emoção jubilosa e por maior disposição para todas as espécies de ação da mesma maneira que na mania, e em completo contraste com a depressão e a inibição da melancolia. Podemos aventurar-nos a afirmar que a mania nada mais é do que um triunfo desse tipo; só que aqui, mais uma vez, aquilo que o ego dominou e aquilo sobre o qual está triunfando permanecem ocultos dele. A embriaguez alcoólica, que pertence à mesma classe de estados, pode (na medida em que é de exaltação) ser explicada da mesma maneira; aqui, provavelmente, ocorre uma suspensão, produzida por toxinas, de dispêndios de energia na repressão. A opinião popular gosta de presumir que uma pessoa num estado maníaco desse tipo se deleita no movimento e na ação porque ela é muito "alegre". Naturalmente, essa falsa conexão deve ser corrigida. O fato é que a condição econômica na mente do indivíduo, mencionada acima, foi atendida, sendo essa a razão por que ele se acha tão animado, por um lado, e tão desinibido em sua ação, por outro.
Se reunirmos essas duas indicações, encontraremos o seguinte. Na mania, o ego deve ter superado a perda do objeto (ou seu luto pela perda, ou talvez o próprio objeto), e, conseqüentemente, toda a quota de anticatexia que o penoso sofrimento da melancolia tinha atraído para si vinda do ego e "vinculado" se terá tornado disponível. Além disso, o indivíduo maníaco demonstra claramente sua liberação do objeto que causou seu sofrimento, procurando, como um homem vorazmente faminto, novas catexias objetais.
Essa explicação certamente parece plausível mas, em primeiro lugar, é por demais indefinida e, em segundo, dá margem a mais novos problemas e dúvidas do que podemos responder. Não fugiremos a um exame dos mesmos, embora não possamos esperar que esse exame nos leve a uma compreensão nítida.
Em primeiro lugar, também o luto normal supera a perda de objeto e também, enquanto persiste, absorve todas as energias do ego. Por que, então, depois de seguir seu curso, não há, em seu caso, qualquer indício da condição econômica necessária a uma fase de triunfo ? Acho impossível responder a essa objeção diretamente. Também chama a nossa atenção para o fato de que nem sequer conhecemos os meios econômicos pelos quais o luto executa sua tarefa. Possivelmente, contudo, uma conjectura nos ajudará aqui. Cada uma das lembranças e situações de expectativa que demonstram a ligação da libido ao objeto perdido se defrontam com o veredicto da realidade segundo o qual o objeto não mais existe; e o ego, confrontado, por assim dizer, com a questão de saber se partilhará desse destino, é persuadido, pela soma das satisfações narcisistas que deriva de estar vivo, a romper sua ligação com o objeto abolido. Talvez possamos supor que esse trabalho de rompimento seja tão lento e gradual que, na ocasião em que tiver sido concluído, o dispêndio de energia necessária a ele também se tenha dissipado.
É tentador continuar a partir dessa conjectura sobre o trabalho do luto e tentar apresentar um relato do trabalho da melancolia. Aqui, de início, nos defrontamos com uma incerteza. Até agora, quase não consideramos a melancolia do ponto de vista topográfico, nem perguntamos a nós mesmos, nesse meio tempo, em que ou entre que sistemas psíquicos o trabalho de melancolia se processa.
Que parte dos processos mentais da doença ainda se verifica em conexão com as catexias objetais inconscientes abandonadas, e que parte em conexão com seu substituto, por identificação, no ego?
A resposta rápida e fácil é que "a apresentação" (da coisa) inconsciente do objeto foi abandonada pela libido. Na realidade, contudo, essa apresentação é composta de inumeráveis impressões isoladas (ou traços inconscientes delas) e essa retirada da libido não é um processo que possa ser realizado num momento, mas deve, por certo, como no luto, ser um processo extremamente prolongado e gradual. Se ele começa simultaneamente em vários pontos ou se segue alguma espécie de seqüência fixa não é fácil decidir; nas análises, torna-se freqüentemente evidente que primeiro uma lembrança, e depois outra, é ativada, e que os lamentos que soam sempre como os mesmos, e são tediosos em sua monotonia, procedem, não obstante, cada vez de uma fonte inconsciente diferente. Se o objeto não possui uma tão grande importância para o ego importância reforçada por mil elos , então também sua perda não será suficiente para provocar quer o luto quer a melancolia. Essa característica de separar pouco a pouco a libido deve portanto ser atribuída de igual modo ao luto e à melancolia, sendo provavelmente apoiada pela mesma situação econômica e servindo aos mesmos propósitos em ambos.
Como já vimos, contudo, a melancolia contém algo mais que o luto normal. Na melancolia, a relação com o objeto não é simples; ela é complicada pelo conflito devido a uma ambivalência. Esta ou é constitucional, isto é, um elemento de toda relação amorosa formada por esse ego particular, ou provém precisamente daquelas experiências que envolveram a ameaça da perda do objeto. Por esse motivo, as causas excitantes da melancolia têm uma amplitude muito maior do que as do luto, que é, na maioria das vezes, ocasionado por uma perda real do objeto, por sua morte. Na melancolia, em conseqüência, travam-se inúmeras lutas isoladas em torno do objeto, nas quais o ódio e o amor se degladiam; um procura separar a libido do objeto, o outro defender essa posição da libido contra o assédio. A localização dessas lutas isoladas só pode ser atribuída ao sistema Ics., a região dos traços de memória de coisas (em contraste com as catexias da palavra). No luto, também, os esforços para separar a libido são envidados nesse mesmo sistema; mas nele nada impede que esses processos sigam o caminho normal através do Pcs. até a consciência. Esse caminho, devido talvez a um certo número de causas ou a uma combinação delas, está bloqueado para o trabalho da melancolia. A ambivalência constitucional pertence por natureza ao reprimido; as experiências traumáticas em relação ao objeto podem ter ativado outro material reprimido. Assim, tudo que tem a ver com essas lutas devidas à ambivalência, permanece retirado da consciência, até que o resultado característico da melancolia se fixe. Isso, como sabemos, consiste no abandono, por fim, do objeto pela catexia libidinal ameaçada, só que, porém, para recuar ao local do ego de onde tinha provindo. Dessa forma, refugiando-se no ego, o amor escapa à extinção. Após essa regressão da libido, o processo pode tornar-se consciente, sendo representado à consciência como um conflito entre uma parte do ego e o agente crítico.
No trabalho da melancolia, portanto, a consciência está cônscia de uma parte que não é essencial, e nem sequer é uma parte à qual possamos atribuir o mérito de ter contribuído para o término da doença. Vemos que o ego se degrada e se enfurece contra si mesmo, e compreendemos tão pouco quanto o paciente a que é que isso pode levar e como pode modificar-se. De forma mais imediata, podemos atribuir tal função à parte inconsciente do trabalho, pois não é difícil perceber uma analogia essencial entre o trabalho da melancolia e o do luto. Do mesmo modo que o luto compele o ego a desistir do objeto, declarando-o morto e oferecendo ao ego o incentivo de continuar a viver, assim também cada luta isolada da ambivalência distende a fixação da libido ao objeto, depreciando-o, denegrindo-o e mesmo, por assim dizer, matando-o. É possível que o processo no Ics. chegue a um fim, quer após a fúria ter-se dissipado quer após o objeto ter sido abandonado como destituído de valor. Não podemos dizer qual dessas duas possibilidades é a regular ou a mais usual para levar a melancolia a um fim, nem que influência esse término exerce sobre o futuro curso do caso. O ego pode derivar daí a satisfação de saber que é o melhor dos dois, que é superior ao objeto.
Mesmo que aceitemos esse conceito a respeito do trabalho da melancolia, ele ainda não proporciona uma explanação do único ponto que nos interessa esclarecer. Esperávamos que a condição econômica para o surgimento da mania, após a melancolia ter seguido o seu curso, fosse encontrada na ambivalência que domina essa afecção, e nisso encontramos um apoio proveniente de analogias em vários outros campos. Mas existe um fato diante do qual essa expectativa tem que se render. Das três pré-condições da melancolia perda do objeto, ambivalência e regressão da libido ao ego, as duas primeiras também se encontram nas auto-recriminações obsessivas que surgem depois da ocorrência de uma morte. Indubitavelmente, nesses casos é a ambivalência que constitui a força motora do conflito, revelando-nos a observação que, depois de terminado o conflito, nada mais resta que se assemelhe ao triunfo de um estado de mente maníaco. Somos levados assim a considerar o terceiro fator como o único responsável pelo resultado. O acúmulo de catexia que, de início, fica vinculado e, terminado o trabalho da melancolia, se torna livre, fazendo com que a mania seja possível deve ser ligado à regressão da libido ao narcisismo. O conflito dentro do ego, que a melancolia substitui pela luta pelo objeto, deve atuar como uma ferida dolorosa que exige uma anticatexia extraordinariamente elevada. Aqui, porém, mais uma vez, será bom parar e adiar qualquer outra explicação da mania até que tenhamos obtido certa compreensão interna (insight) da natureza econômica, primeiro da dor física, depois da dor mental análoga a ela. Conforme já sabemos, a interdependência dos complicados problemas da mente nos força a interromper qualquer indagação antes que esta esteja concluída até que o resultado de uma outra indagação possa vir em sua ajuda.

Arquivo | Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis